Sábado, Novembro 10, 2007

Ermida de Santana

Volto hoje às Ermidas que populam nas imediações de Serpa para responder a um meu conterraneo o Camaramam metalico que ao visitar este blogue não encontrou a Ermida a que mais ligado está uma vez que nasceu naquela zona. Ermida de planta longitudinal composta por nave e capela-mor, do lado esquerdo, o baptistério, e do lado direito, a sacristia, no topo da nave, duas capelas laterais formam cruzeiro. Situada em ambiente rural, numa elevação sobranceira à Estrada Nacional que liga Serpa e Beja, implantada em terreiro parcialmente calcetado e antecedida de cruzeiro de alvenaria com cruz de ferro. Arco triunfal de volta perfeita assente em pilastras, que dá acesso à capela-mor, coberta por abóbada de berço arrancando de cornija. Paredes cobertas parcialmente por pinturas murais. Altar-mor antecedido por degrau em cantaria. Do lado da Epístola abre-se a porta de acesso à sacristia de inícios do sec XVI. A imagem da padroeira, notável exemplar da escultura maneirista de inícios do séc. XVII, encontra-se depositada na Residencia Paroquial em Serpa.

Quarta-feira, Julho 18, 2007

O Desporto - 2

1956/57 O Futebol Clube de Serpa Campeão Nacional da 3ª. Divisão.
Volto ao Futebol para contar aquilo de que muita gente ainda se deve lembrar, quando na época de 1957/58 o Serpa defrontou o Campeão Nacional da época 55/56 o Almada. Lembro-me de ter ido assistir ao jogo de futebol, levada pelo meu pai, no mesmo dia em que tinha feito a comunhão, devia portanto ser o mês de Maio. Sei que o Serpa perdeu 7-0, mas o pior foi o que nos esperava no fim do jogo. Quando o jogo terminou abertas que foram as portas, nas já actuais instalações desportivas, qual não foi o espanto dos adeptos quando são recebidos com uma carga da GNR a cavalo, que não respeitou ninguém homens, mulheres e crianças. Apenas escaparam às vergastadas da GNR, aqueles que num pé ligeiro se conseguiram abrigar no Jardim Municipal, o que foi o meu caso e da minha familia. Nunca tal se tinha visto em dia de festa, após um acto desportivo. Ao Hospital chegaram cabeças e braços partidos, crianças choravam pelos pais e nem o Presidente da Câmara escapou. Espectáculo degradante. Foi o último jogo de futebol a que o meu pai, Campeão Distrital 47/48, assistiu ao vivo, no campo do Serpa.

Desporto - O Foot-boll

Comecemos pelo chamado desporto rei “O Futebol” . Segundo o que meu pai contava existiam em Serpa nos seus tempos de juventude, várias Agremiações Desportivas, entre elas “Os Trauliteiros” e “Os Gatos Amarelos”, rivais nas lides desportivas. Aos Gatos Amarelos pertenceu o meu pai nos idos dos anos 30 do Séc. passado.
Mais tarde foi a vez do "Club de Fôot-boll Serpense os Encarnados” , “O Luso” e “Os Azuis”, estes são aqueles de que me lembro ouvir o meu pai falar, embora saiba da existência ao longo dos tempos de outros clubes ou agremiações. Tenho uma vaga ideia de que os "Encarnados" teriam dado lugar aos "Azuis" mas já não posso precisar com segurança. Lembro no entanto que, por ser sócio d’Os Azuis", eterno rival do "Luso", o meu pai, nos anos 60/70, ainda não punha os pés na sociedade “Luso União Serpense” nem mesmo quando, com filhas já crescidas que frequentavam o salão de baile ali existente, as ia buscar (quais gatas borralheiras ao bater da meia noite). Mas voltando ao Futebol, integrou o meu pai, como sócio fundador e jogador federado o grupo que em 1945 fundou o então Futebol Clube de Serpa, de que foi sócio que eu me lembre até aos anos 60. Dos primeiros tempos, dos tempos dos “Gatos Amarelos” contava com grande entusiasmo para além das vitórias (e algumas derrotas que as houve e muitas), a festa que era quando em dia de jogo a população ia em peso para as imediações do campo de futebol, sito num terreno baldio, não muito longe do local onde hoje se situa o Estádio, esperar os jogadores. O campo era careca, mas nem por isso o entusiasmo era menor. Os jogadores vinham equipados desde a Sede do Clube, correndo pelas ruas da vila, aplaudidos ou assobiados conforme as simpatias clubistas. O equipamento, bom, o equipamento se assim se pode chamar ao uso de cuecas e camisola interior, era branco. Mas, há sempre um mas, algum tempo depois tanto os jogadores como os adeptos foram confrontados com uma surpresa ... e que surpresa. Foi num domingo, quase à hora de mais um encontro, a outra equipa era de fora e os seus adeptos estavam preparados para desmotivar os de Serpa, ridicularizando-os por causa do equipamento. Foi então que no meio de grande euforia alguém (já não recordo o nome) entrou na Sede dos Gatos Amarelos, com grandes caixas onde eram transportados novinhos em folha os novos equipamentos, incluído “chuteiras”. Calções brancos, como os do Benfica, camisola de riscas verticais como as do Porto mas, verde e branco como o Sporting Clube de Portugal. Foi o delírio total. O entusiasmo do meu pai ao contar-me este episódio era tal que eu, quase podia visualizar, não só a alegria do meu pai, que era evidente, como a alegria e admiração de todos aqueles que mais uma vez ladeavam as ruas por onde os jogadores passavam. Nesse dia ganharam no campo, na admiração dos adeptos e viram os adversários meter a língua no saco. O meu pai foi jogador de futebol até aos seus 35 ou 36 anos.
Fotos: (nº. 1 "Os Encarnados" o meu pai é o jogador que se encontra mais à direita na foto, de notar as riscas horizontais deste equipamento); (nº. 2 cartão de sócio do Futebol Clube de Serpa nº. 193 de 1956); (nº. 3 Não sei que equipa é, reconheço dois dos jogadores o segundo a contar da esquerda na primeira fila salvo erro o Sr. Fausto Cação e o penultimo da mesma fila, meu tio José Bule). Em baixo o cartão da Federação Portuguesa de Futebol, Licença do jogador nº. 20516 época 1948/49 de primeira categoria, José dos Remédios Evaristo, meu pai.

Terça-feira, Julho 17, 2007

Vida Cultural - As Bibliotecas

Possui Serpa duas bibliotecas “A Biblioteca Municipal ou Biblioteca Correia da Serra” e a “Biblioteca Caloust Glubenkian” . A Biblioteca Correia da Serra foi criada no ano de 1904, mais precisamente a 6 de junho de 1904, por iniciativa de alguns Serpenses que assim quizeram prestar a sua homenagem a um dos maiores vultos do Portugal do sec. XVIII, um ilustrissimo filho de Serpa. Em 9 de Janeiro de 1931, encontrando-se a mesma em estado caótico foi convidado para a arrumar o poeta e jornalista João Gonçalves Bentes. Em 1950 porém, feito o inventário com base em livro de registo antigo verificou-se a falta de grande quantidade de livros pelo que foram publicados editais convidando os utentes à sua devolução. Nos anos 70 foi tarefa de João Cabral, a reorganização da Biblioteca no intuito de a colocar ao serviço da população, como era intenção dos seus fundadores o que veio a acontecer. A Biblioteca funcionou durante algum tempo no edificio da Câmara, passando depois para a Rua Dr. Luís de Almeida e Albuquerque, ocupando um edificio que foi em tempos a morada oficial do Juiz e onde também foi instalada a Biblioteca Calouste Gulbenkian. O Património bibliográfico ali existente é de cerca de 2000 volumes.

José Francisco Correia da Serra (Abade Correia da Serra)

Em 1966 foi inaugurada a Biblioteca Gulbenkian, numa pequena sala nas trazeiras do edificio da Câmara Municipal, mas já antes a Fundação com o mesmo nome fazia circular por várias terras, incluindo Serpa uma carrinha carregada de livros a que se dava o nome de Biblioteca intenerante, onde aqueles de nós que tinham o vício da leitura, saciavam a sua sede, uma vez que estava completamente fora de questão a compra de livros, tidos já nesse tempo, como produtos de luxo a que só alguns podiam aceder. Orgulho-me de pertencer ao conjunto dos primeiros leitores que de quinze em quinze dias, traziam para casa 3 a 5 livros. Conservo ainda o cartão de leitor. É com bastante alegria que constato a construção de um edificio condigno para a instalação do acervo da Biblioteca Municipal. Abaixo alguns dos livros editados pela Câmara Municipal de Serpa., e o meu cartão de leitor.

Sexta-feira, Julho 06, 2007

Vida Cultural - O Teatro

A cultura e as artes tiveram sempre um lugar especial na Vila de Serpa, para além de dois espaços de exibição de filmes, um ao ar livre junto ao Jardim e outro numa sala existente na Rua de Nossa Senhora, “Cine Parque Esperança” se bem me recordo. Também na Rua de Nossa Senhora, havia uma sala de espectáculos de que já falei, quando da publicação do (Recantos – 19) em que diziamos: - No ”TheatroThália”, cujo palco se situava onde antes tinha existido o altar-mor, da Igreja do Hospital da Misericórdia, na Rua de Nossa Senhora, representaram, além do grupo de teatro amador, residente, actrizes de grande prestígio do Teatro Português como Rosa Damasceno -. Acrescentamos agora que este Teatro, com Grupo Cénico residente, foi estabelecido por diversos cavalheiros abastados da vila, e que além dos dois grupos de Teatro Amador locais, este e o Gil Vicente, alí representaram também companhias ambulantes, tanto portuguesas como espanholas. Ao que sabemos Rosa Damascento terá até contracenado com um dos grupos de amadores de Serpa numa peça intitulada "Córa", podemos pois concluir que os nossos amadores eram actores de grande gabarito. O outro grupo de que tenho conhecimento era o "Grupo Cénico e Musical Serpense Gil Vicente" do qual deixo aqui registo atravéz do Bilhete de Identidade nº. 35 conferido a meu pai em 1943.
Já não consigo lembrar-me do nome de todos os actores que os meus pais enumeravam, mas lembro-me de que colaboravam frequentemente nestas representações a Srª. Dª. Maria Ana Bule Palminha; o Sr. Julio Nogueira e o Sr. Francisco Torrão, que mais tarde seria também o Mestre da Banda Filarmónica, de quem aliás ainda me recordo perfeitamente. Os dois primeiros figuram nas fotografias abaixo, as quais datam dos finais dos anos 40 do séc. passado.
Havia uma outra sala de espectáculos na Casa do Povo, de dimensões consideráveis para uma Vila do interior, na Rua da Fonte Santa. Era frequente passarem por Serpa, companhias de Teatro ambulante. Recordo-me da montagem de um barracão num terreno baldio nas imediações do Jardim, onde durante alguns dias foram representadas as peças como “A Rosa do Adro" e " Os Fidalgos da Casa Mourisca” onde não fui dados os meus 5 anos ou 6 anos. Depois de um interregno mais ou menos longo apraz-me registar o resurgimento em 1996, de um grupo de Teatro, ao que sei pela mão de Romão Janeiro, encenador e actor do Teatro Experimental de Pias. Ainda em 1996, o grupo constitui-se em associação e apresenta a peça “Um Caso Raro de Loucura”, de Henrique Galvão, Este Grupo que se tem exibido em diversas terras de norte a sul de Portugal, desenvolve ainda iniciativas de Teatro Infantil e Festivais de Teatro, em estreito intercâmbio com Grupos de diversos pontos do país. Aliás um dos Grupos de Teatro que já teve a oportunidade de se apresentar em Serpa, o " Grupo de Teatro Olimpo", de Ansião, tem como encenador Casimiro Simões, meu genro, dramaturgo com obra publicada.
Abaixo a fachada principal do novo Cine Teatro e o interior da sala de espectáculos.

Sábado, Junho 30, 2007

Voltar a publicar 2

Voltando à temática deste blogue, cuja última publicação há meses, foi sobre o Monumento a Luiz Vaz de Camões, propomo-nos agora continuar.
Depois de termos percorrido a maior parte das ruas de Serpa, numa visita que nos levou do coração da Cidade, até aos arredores, de apreciamos as Ermidas pequenas e brancas que denotam aqui e ali a devoção das gentes da nossa terra, a Serra e o Guadiana, desde as Pontes ao Pulo do Lobo, detivemo-nos por momentos no Cante Alentejano, essa melopeia antiga que embalou a minha infância, visitámos os Museus e o Jardim, olhámos com alguma atenção os Fontanários e os tão caracteristicos Chafarizes, iremos debruçar-nos sobre a Cultura e o Desporto, ao mesmo tempo que continuaremos a passear por essas ruas cheias de recordações.
Veremos as ruas antigas, algumas que hoje com novas roupagens estão completamente diferentes senão irreconheciveis. Falaremos das lendas, histórias e milagres que estão associados a Serpa e também, de personagens da História, dos homens de cultura, dos Santos e outras figuras grandes que em Serpa nasceram. Enfim de toda a recolha que durante estes meses de silêncio fui juntando para vos oferecer.

Terça-feira, Junho 26, 2007

Voltar a publicar

Deixei de publicar porque (cabeça louca) perdi o código de acesso ao meu próprio blogue e só agora o recuperei. Agradeço todos os comentários que me tem enviado a maior parte deles de insentivo. Assim e porque não deixei de coleccionar fotos das Ruas de Serpa, vou preparar e voltar a publicar. Por último uma palavra para o único comentador, autor do blogue "BOLOTAONLINE" do qual usurpei 2 fotografias, tendo confessado a minha falta na caixa de comentários daquele blogue, com um pedido de desculpas deixando mesmo a indetificação do meu email, que transcrevo: - "De susete a 24 de Setembro de 2006 às 19:55 Não é de construções que venho falar e ainda menos de dores de cabeça (quenunca tive) o que aqui venho fazer é confessar um roubo. Pois é bolotaonline, encontrei umas fotos do antigo apeadeiro do Guadinada na antiga ponte de ligação Beja/Serpa e roubei-as para utilizar no blogue que estou a fazer sobre Serpa. À primeira vista o bolotaonline parecia desactivado, mas tanto tentei que consegui encontrá-lo. Assim queria pedir a devida autorização embora já as tenha utilizado. sse@netcabo.pt - http://serpa-eriovasti.blogspot.com" - me puxou as orelhas. Quero dizer-lhe caro bolota que não voltarei a fazer nem a visitar o seu blogue. A todos os outros mais uma vez o meu muito obrigada.

Domingo, Dezembro 03, 2006

Monumento a Camões

Este singelo monumento ao Poeta maior da lingua Portuguesa esteve desde a sua inauguração nos anos sessenta colocado frente ao edifício da Câmara Municipal porém com as obras efectuadas na referida praça, foi colocado junto ao Teatro Municipal. (por falar nas obras que a Praça da Républica sofreu devo dizer que ficou mais pobre a que deveria ser sala de visitas de Serpa, até o piso lhe deixaram desnivelado. É triste ver uma Praça que já teve Palmeiras e bancos de Jardim transformada em mera esplanada do Café Alentejano.

Sábado, Dezembro 02, 2006

Outra vez o Bairro Operário

Há já algum tempo publiquei fotos do Bairro Operário datadas dos anos sessenta pois bem aqui estão fotos do Bairro como hoje se encontra. Em primeiro plano o espelho de água que tanta beleza e serenidade transmite.

De novo o Museu Etnográfico

Imagens recolhidas no passado mês de Novembro em mais uma das minhas visitas a Serpa

As Chaminés de Serpa

Domingo, Outubro 01, 2006

O Cante

Depois de ouvido o quase murmurejar do Guadiana, junto às Pontes, e o seu canto enraivecido, qual Otelo ao sentir-se traído por Desdemona, no Pulo do Lobo, voltamos a Serpa. E ao cair da noite ouviremos as vozes, ao mesmo tempo graves e melodiosas, sofridas, rijas e fortes do Cante do Alentejo. No tempo da minha juventude, não raro se ouvia em Serpa, pela calada da noite, ou alta madrugada levantarem-se vozes cantando, mas ninguém se incomodava, antes pelo contrário, algumas janelas entreabriam-se para melhor se escutarem essas vozes.
Confesso que só mais tarde, longe, muito longe de Serpa reconheci a beleza do Cante Alentejano e aprendi o tom, as melodias, o quebrar das palavras, o arrastar das sílabas. Posso dizer que foi a saudade quem me ensinou. Corais de Serpa (fotos 1, 2 e 3)
Quem me dera ser de Serpa
Ou em Serpa ter alguém
Só para ouvir dizer
És de Serpa Cantas bem
Como ainda não sei colocar música no blogue deixo aqui algumas modas do Cante Alentejano, antigas, das de sempre.
E também descantes.
Lá vai o balão ao ar (descante)
Lá vai o balão ao ar!
Se ele vai, deixai-o ir !
Ajuntem-se as moças todas
P’ra verem o balão subir.
P’ra verem o balão subir,
P’ra verem o balão baixar
Ausentou-se o meu amor,
Já não há quem saiba amar!
Eu sou devedor à Terra
Eu sou devedor à terra
A Terra me ‘stá devendo
Eu sou devedor à Terra
A Terra me ‘stá
A Terra paga-m’em vida
Eu pago à terra em morrendo
Alentejo, Alentejo
Terra sagrada do pão
Eu hei-de ir ao Alentejo
Mesmo que seja no Verão
Ver o doirado do trigo
Na imensa solidão
Alentejo Alentejo
Terra Sagrada do Pão
Ao romper da bela aurora (moda)
Ao romper da bela aurora
Sai o pastor da choupana
Meu lírio roxo
Sai o pastor da choupana
Vem gritando em altas vozes
Muito padece quem ama
Meu lírio roxo
Muito padece quem ama
Muito padece quem ama
Mais padece quem adora
Meu lírio roxo
Muito pedece quem ama.
Não são de Serpa, são Alentejanos cantam bem e emocionam quem os ouve. Quero fazer aqui a minha homenagem aos mineiros de Aljustrel e ao Hino do Mineiro. Obrigada
O Hino do Mineiro
Nas minas de S.João
La la la la la la la la
Morrerom quatro mineiros, vê lá
Vê lá companheiro, vê lá
Vê lá como venho eu...
La la la la la la la la
Eu trago a camisa rota
La la la la la la la
E o sangue dum camarada, vê lá
Vê lá companheiro, vê lá
Vê lá como venho eu...
La la la la la la la la
La la la la la la la la
Oh Senhora Santa Bárbara
La la la la la la la la
Padroeira dos mineiros, vê lá
Vê lá companheiro
Vê lá como venho eu...
La la la la la la la la
La la la la la la la la
Eu trago a cabeça aberta
La la la la la la la la Abateu uma barreira, vê lá
Vê lá companheiro, vê lá
Vê lá como venho eu...
La la la la la la la la
La la la la la la la la
Eu trago a camisa rota
La la la la la la la la
E o sangue dum camarada, vê lá
Vê lá companheiro, vê lá
Vê lá como venho eu...
La la la la la la la la
La la la la la la la la
Oh Senhora Santa Bárbara
La la la la la la la la
Padroeira dos mineiros, vê lá
Vê lá companheiro
Vê lá como venho eu...
La la la la la la la la
La la la la la la la la

Domingo, Setembro 24, 2006

O Pulo do Lobo

E sem dar por isso já estamos no Pulo do Lobo. A paisagem é agreste, brutal mas maravilhosamente bela, como todas as paisagens ainda virgens. E a água do Rio Guadiana que sentindo-se apertado entre as margens comprimidas, zanga-se, barafusta e sai com um grande estrondo que nos assusta, mas também nos seduz, extasia e nos esmaga com a sua beleza selvagem. A última vez que estive no Pulo do Lobo foi, à sombra da árvore que na primeira foto aparece caída, que fizemos o almoço. Foi com mágoa que a vi assim, caída no chão, arrancada pela raiz.
Das grutas escavadas nas rochas, uma há, de difícil acesso, a que só se atreviam noutros tempos aqueles que faziam do contrabando a sua profissão. Dizem, pois nunca me atreveria a descer até lá, que as águas do rio escavaram e moldaram toscos bancos de pedra dizem até que uma das rochas que se assemelha a uma mesa, é a chamada “Sala dos Contrabandistas”, quanto a mim é a mais uma vez a natureza a ajudar os humanos.

A Serra de Serpa

Sempre descendo o rio deixando para trás as suas águas calmas e já em terras da Serra de Serpa a paisagem muda completamente. Quem saindo de Serpa toma a estrada de S. Brás e se embrenha na Serra, passando a Ribeira de Limas, pode saciar a sede na água fresca da Fonte da Silvestra, beber um café na teberna da Neta ou seguir em frente onde nos damos conta da mudança da paisagem.
A paisagem, e a flor de esteva, autóctone da Serra de Serpa

As Pontes do Guadiana

O Guadiana é vê-lo calmo, sereno, ondulando por entre as pontes, a de ferro, centenária, por ela passavam até há cerca de 30 anos, a autómotora, todo o tipo de veículos, pessoas e gado. Enquanto uns passavam ou outros tinham de interromper a sua marcha, não só para passar o combóio, como também para passar á vez, de Beja para Serpa ou de Serpa para Beja, pois não podiam cruzar-se a velhinha ponte não tinha largura para isso. E havia o apeadeiro *
O edificio do apeadeiro do Guadiana não só servia de entreposto para entrada e saída de passageiros na automotora que fazia o percurso do ramal de Beja a Moura, como era morada da pessoa ou pessoas que controlavam a passagem dos veículos, que atravessavam a ponte, de uma margem para a outra.
Então, no princípio da década de 70 deu-se início à construção da ponte rodoviária de que se sentia a falta há muito tempo.
*As fotografias do apeadeiro do Guadiana (roubei-as) do site “bolotaonline” que se apresentou desactivado e sem possibilidade de solicitar a devida autorização para reproduzir as fotografias, assim peço desculpa a quem de direito, mas não consegui fugir à tentação.

O Rio Guadiana

Depois de ruas, igrejas, cantos e recantos monumentos e Jardins, vamos sair da cidade. Visitaremos primeiro a agua, que é como quem diz o Guadiana. Passando a alguns quilómetros da cidade, não deixa por esse facto, de banhar terras de Serpa
O Rio Guadiana
Descendo o rio encontramos as velhas azenhas ou moinhos do Guadiana, não se sabe quando foram construídas mas moeram o trigo até há bem pouco tempo.
Os moinhos ou Azenhas do Guadiana

Sábado, Setembro 23, 2006

Outras Igrejas de Serpa (4)

Igreja de S. Roque
Nunca entrei nesta igreja, conheço-a apenas por fora, pequena e humilde, caiada de branco, situa-se nas imediações do Jardim Municipal, na Rua João de Deus, não quero no entanto deixar de registar a sua existência.
Igreja da Senhora da Saúde
Pois é, a Igreja da Senhora da Saúde fica… no cemitério. Construída no mesmo lugar onde antes se situava a Ermida de Santo André, dela se conhece a existência já em 1619, quando aos Paulistas foi autorizado erguer o seu Convento. Segundo a lenda, a construção desta igreja deve-se aos muitos milagres operados durante uma epidemia, deixarei no entanto os pormenores, para quando relatar todas as lendas que conheço referentes à Cidade de Serpa. A fachada é simples, com duas colunas jónicas a ladear a entrada, frontão clássico, coroada por um campanário e com quatro grandes torres, duas na fachada principal e outras duas nas traseiras, enquadrando toda a edificação. No interior, de uma só nave e abobada de berço, pode ainda vislumbrar-se o altar-mor de estilo barroco, com a riquíssima da talha dourada, que se repete no trono da virgem e nas molduras das seis telas, de autor desconhecido, que embelezavam a Igreja, hoje em estado de ruína total. Podem ainda apreciar-se alguns azulejos policromos do séc. XVII, que revestiam as paredes até à abobada. Tem ainda dois modestos altares laterais, sendo o da direita dedicado a Stº. André, o da esquerda, sempre repleto de ex-votos de cera, desconheço a que santo pertencia.

Outras Igrejas de Serpa (3)

Capela de Nossa Senhora dos Remédios
No sítio conhecido como de “Os Penedinhos”, a nordeste da Cidade encontra-se a Capela da Senhora dos Remédios, comemorada a dois de Fevereiro. Sabe-se por se encontrar registado em acta, que a cobertura desta Capela foi concluída no ano de 1689, após venda em hasta pública, das folhadas das vinhas, oferecidas para o efeito pelos mordomos da sua confraria. À sua construção está ligada uma lenda que a seu tempo irei contar.
Ermida de S. Brás
Já em terrenos da Serra de Serpa, a meio caminho entre a Cidade e o Pulo do Lobo, a modesta Ermida de São Braz, era alvo noutros tempos de uma grande romaria. Ainda me lembro da última romaria que se realizou na década de 60, deveria eu ser moça de uns dez ou doze anos. Com grande euforia mas sem as bulhas e lutas que tinham lugar noutros tempos, conforme os meus pais me contavam Lembro-me que havia carros de muares engalanados com flores e canas verdes, cheios de sorrisos de lindas moças, musica e alegria, ranchos de homens entoando as modas do Cante Alentejano. Foi uma festa muito bonita e que saudades. Como vai longe o tempo da minha mocidade !

Outras Igrejas de Serpa (2)

Ermida de S. Sebastião
Quem chega a Serpa vindo das bandas de Beja encontra junto à estrada mesmo à entrada de Serpa, uma pequena Ermida de traça mudéjar com alpendre a cobrir o pórtico. Não se conhece nada acerca da sua construção, que se calcula ser do séc. XVI. Nos idos dos anos 50 ainda se fazia a sua festa, não me lembro em que dia do ano.. A festa constava de procissão e os organizadores para angariar o dinheiro necessário vendiam fitinhas com pedidos de Graças que os devotos amarravam aos pulsos até receberem do santo a satisfação do milagre pedido.
Ermida de S. Pedro
No caminho que leva ao sitio da Fonte Nova, (Quinta da Fonte Nova a minha casa) depois de passar o Bairro operário, junto à piscina municipal, encontramos, sob a invocação do apóstolo São Pedro, uma pequena Ermida com as mesmas características da de S. Sebastião, presumindo-se datar também do séc. XVI, tendo à ilharga uma casa térrea, destinada ao ermitão. No dia de S. Pedro há alguns anos atrás havia grandes festas, com missa, procissão à volta da igreja e a culminar um bailarico popular no adro da Igreja. Também não faltava a venda de cabazes com fogaças (espécie de pão doce, ornamentado de amêndoas ou alcagoitas*) em forma de argola que as moças enfiavam no braço. *Alcagóitas, fruto seco a que também se dá o nome de ervilhanas, ou, mais comumente amendoins.

Outras Igrejas de Serpa (1)

A Igreja do Santuário.
Já antes me tinha referido a esta Igreja do Santuário, sita na confluência das Ruas da Barbacã, da Cadeia e do Escorregadio.
Foi sede da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo e nas instalações anexas, funcionou a Conferência de S. Vicente de Paulo, fundada em Paris em 23 de Abril de 1833. Esta organização que se dedicava à prática da caridade junto dos pobres foi trazida para Portugal por Francisco Lemos Faria Pereira Coutinho, 1º. Conde de Aljezur.
Desde há quase dois anos que se encontra em obras de recuperação.
A Igreja do Calvário
Na rua do Calvário existe uma pequena capela, conhecida pela Igreja do Calvário das Pedras Negras, por, nas suas paredes haver em saliência pedras pintadas de preto. Não se sabe a data da sua construção presumindo-se ser de meados dos séc. XVIII. As imagens que ali se encontram são todas referentes à paixão e morte de Cristo.
Nos anos 50 e 60 havia quem aliasse esta igreja a manifestações de bruxaria uma vez que se dizia, que em noites de sexta-feira eram vistas mulheres de negro ajoelhadas no pátio e que as mesmas seriam bruxas.
O povo andava em polvorosa mas, cada um tem a sua fé e nada ficou provado.

A Igreja de S. Salvador

Muito antiga, desconhece-se a data da sua construção, é porém já conhecida em 1406 quando da assinatura do compromisso dos colmeeiros da Serra de Serpa, que ali teve lugar, situava-se então no arrabalde da Vila. A fachada desta Igreja é simples, ornamentada apenas por duas janelas, clarabóia redonda e com uma escadaria de seis ou sete degraus de acesso à entrada, em forma de meia lua tem ainda uma torre sineira, quadrangular. O interior de uma só nave é coberto por grande abobada de berço, que vai desde a entrada até ao altar-mor. Tem seis capelas laterais, dois púlpitos e painéis de azulejos em branco e azul. Lembro que em criança ficava muitas vezes a olhar aquela abobada com pinturas religiosas porém, à cerca de vinte anos fiquei muito desiludida. Não sei de quem foi a ideia e se as pinturas existentes se estavam a deteriorar, o certo é que, em vez de obras de restauro optou-se pela solução mais fácil, pintando-se de branco as paredes e a abobada da Igreja, perdendo-se para sempre os frescos que a ornamentavam.

Quinta-feira, Setembro 21, 2006

A Igreja de Santa Maria

Situada no Largo dos Santos Próculo e Hilarião, (de que mais tarde contarei a lenda e mostrarei o portal de pedra da casa onde se crê terem vivido os ditos Santos), junto às muralhas do Castelo Velho, a Igreja Matriz de Santa Maria é uma igreja de três naves, separadas por arcos ogivais, apoiados em colunas geminadas coroadas por capiteis românicos, tem várias capelas laterais, sendo a capela-mor a casa tumular de Dª. Guiomar de Melo, camareira-mor da Imperatriz Isabel mulher de Carlos V de Espanha, esta capela ostenta ao alto da frontaria a brasão de Dª. Guiomar. Nesta Igreja podem ver-se ainda várias lages tumulares com brasões e respectivas inscrições que as identificam. Diz a tradição que a sua construção se deve ao Rei Lavrador, D. Diniz o mesmo que deu a Serpa o primeiro Foral, e mandou que se erguesse a grande cintura de Muralhas que cerca a cidade. A base desta Igreja estará assente nas ruínas de uma antiga Mesquita. A Fachada é simples, tendo apenas como guarnição dois botareus de pedra, encimadas pelas imagens dos Santos que dão nome ao largo, tem ainda uma robusta torre sineira de traça quadrangular. Acede-se ao Largo da Igreja através de uma escadaria “As escadas de Santa Maria” (foto 2) construídas no Séc.XVIII, a fim de facilitar o subir e descer da íngreme Ladeira que até então existia.

A propósito dos santos que ladeiam o portal conta-se a seguinte história: Era crença popular que um dos santos tinha o poder de prever o estado do tempo, uma vez que, ao mínimo sinal de humidade a sua cabeça escurecia. Era um milagre ! Ora a razão porque isto acontecia tinha uma explicação bem mais simples. Durante uma tempestade os ventos fortes fizeram cair e partir em mil bocados a cabeça do santo ficando a imagem privada daquela parte do corpo. Um artífice, bem intencionado moldou em gesso uma cabeça, colocando-a sobre o corpo mutilado. Não é preciso conhecer as leis da física para saber que o gesso com a humidade escurece. Mas vá lá ao povo crente, alguém contrariar a sua crença .
Agradeço a amável cedência de algumas destas fotografias a "Charquinho" "Serpa minha Terra" "Universos Assimétricos" blogues que recomendo assim como "O Parente da Refóias".

Quarta-feira, Setembro 20, 2006

O Altinho - A Ermida de S. Gens ou de N.S. Guadalupe

No cerro mais alto dos arredores de Serpa, a cerca de um quilómetro e meio de distância, fica a Ermida de S. Gens, (foto 1) onde residem, além do Santo que lhe dá o nome, S. Luís e Nossa Senhora de Guadalupe, a mais conhecida e de maior devoção do povo de Serpa.
A imagem que aqui se venera sob o nome de Guadalupe, pouco tem de semelhança com a da Virgem de Guadalupe que, em 1531, apareceu a um índio Azteca, no México dizendo chamar-se “Quatlasupe” que os espanhóis traduziram depois, para Guadalupe e que quer dizer na língua azteca, «Aquela que esmaga a serpente».
Abaixo reproduzimos as duas imagens a Portuguesa (foto 2) a Mexicana (foto 3)
Em 1946 mais propriamente em 1 de Dezembro, foi o Concelho de Serpa consagrado à Senhora de Guadalupe, pelo Arcebispo de Beja D. José do Patrocínio Dias. Tem esta capela um painel (ex-voto) em que se faz referência a um milagre da Senhora de Guadalupe, na pessoa de uma mulher, a avó “Trocanita”, a que me referirei quando mais adiante transcrever as “lendas”, que me contavam quando era criança.
Várias perspectivas da Ermida de S. Gens
Neste lugar existe uma “Atalaia” que, como tantas outras, outrora constituíam uma cintura defensiva de apoio ao Castelo, dizem mesmo que estavam ligadas entre si. Parecendo fazer parte integrante do conjunto de edificações da Ermida, esta atalaia serve de base ao “Vértice Geodésico” de 2ª ordem da Rede Nacional. Tipo de sinal: Bolembreano sobre atalaia sendo as coordenadas: Latitude 37º 55' 46,9'' N e Longitude: 7º 35' 36,5'' W – Altitude: Ortométrica=289m-Elipsoidal=344mA antiga atalaia ostentando o Vértice Geodésico no seu topo

Terça-feira, Setembro 19, 2006

O Convento de S. Francisco ou O Bom Pastor

Os Franciscanos, vieram para Portugal por volta de 1217, mas o Convento de Serpa só foi mandado construir em 1502, por ordem de D. Manuel I, distante meio quilómetro da Vila. De estreitas dimensões, tinha capacidade apenas para vinte religiosos Este Convento foi declarado monumento nacional em 31 de Dezembro de 1940.Existem várias pedras tumulares com brasões tanto dentro como fora da Igreja.
O portal é ogivado e, no encontro das nervuras, do lado esquerdo, vê-se a esfera armilar. A Igreja de uma só nave é coroada por abóbada de volta redonda. Na capela-mor existem painéis de azulejos policromos de grande beleza. A casa do capítulo que serve de sacristia está revestida a azulejos em azul e branco, que retratam passagens da vida de S. Francisco de Assis. De estilo gótico é decorado com elementos de estilo manuelino. O alpendre de abobada de nervuras e botareus cilíndricos rematados por corucheus cónicos, foi inspirado na Catedral de Santa Cecília de Albi. À entrada do Convento, existe um pequeno claustro com colunatas, que outrora foram de mármore. Depois dos Frades Franciscanos terem saído, o Convento passou a ser recolhimento de freiras, tendo também como missão o acolhimento de raparigas. Hoje, e após construção de novas instalações e infra-estruturas, foi dado a este espaço a nobre missão de acolher um lar de terceira idade, num ambiente familiar, prestando ainda serviços de acompanhamento domiciliar a idosos da região.

Domingo, Setembro 17, 2006

Os Chafarizes

De todos os Fontanários e Chafarizes que existiram em Serpa, poucos subsistiram ao decorrer do tempo. Tal como aconteceu ao Chafariz do Largo da Corredora, de que já falámos, também o do Largo 5 de Outubro, o Poço e a Nora de Santa Maria, sitos às Portas de Moura, a Fonte Santa, na rua com o mesmo nome junto ao Terreiro dos Palmas, a Bica da Barbacã, assim como o Fontanário do “Poço dos Cães” ao início da estrada de S. Braz, junto ao Campo de Futebol, desapareceram.
Dos Chafarizes que ainda existem o mais antigo é o do Largo do Corro, datado de 1887 (foto 2) o Chafariz do Largo do Salvador e o do Largo das Portas de Beja são ambos de 1904 (fotos 3 e 4) respectivamente. O que aparece na primeira fotografia situa-se no Largo das Portas e Moura, desconheço a data da sua construção mas como é igual ao das Portas de Moura, presume-se ser do mesmo tempo.
Os fontanários existentes na Rua de Serpa Pinto (foto 5) do Séc. XIX de alvenaria e pedra com bicas de bronze e o da Marreira (foto 6) datado de 1615, de alvenaria em que se destacam as armas reais.
Também ainda podemos encontrar a Fonte do Ortezim, (fotos 7 e 8) a nascente da cidade. Tem uma inscrição com a data da construção, que não se consegue ler mas da qual já se tinha conhecimento em 1625, é uma fonte de bicas a que se acede por uma escadaria de pedra uma vez que se situada abaixo do solo.
Dos poços que abasteciam a antiga vila existem ainda o Poço Bom, na estrada de Beja e o Poço da Fonte Nova no local com o mesmo nome, assim como os depósitos da Cruz Nova e do Alto da Forca.

Os Museus da Cidade - O Museu de Arqueologia

Na Alcáçova do Castelo, a antiga casa do Governador, que nos anos 60 serviu de cadeia, situa-se hoje o Museu de Arqueologia. (foto 1) Do seu espólio constam materiais arqueológicos que vão desde o Paleolítico inferior à época Islâmica, oriundos na sua maioria das escavações feitas em quintas e montes da área do Concelho na Cidade das Rosas e no próprio Castelo.
Tem este Museu uma típica cozinha Alentejana (foto 4) com a sua chaminé poial das “enfusas” panelas de ferro, cadeiras de “buinho”, onde não faltam também o alguidar da “amassadura” a peneira, tabuleiro de madeira , pratos e panelas de barro etc. Na foto 3 podemos ver o local onde em tempos existiu uma cruz, cujos blocos de pedra que se encontram como podemos ver, espalhados pelo chão. Acima (foto2) a sala onde podemos apreciar o espólio do Museu, de que apresentamos algumas peças de entre as quais destacamos, uma tampa de sepultura (foto 6) e uma placa funerária (foto 8)

Sábado, Setembro 16, 2006

Os Museus da Cidade - O Museu Etnográfico

O edifício do antigo Mercado hortícola, peixaria e talho do Largo do Corro deu lugar ao Museu Etnográfico, onde são expostas antigas alfaias agrícolas, assim como utensílios que se utilizavam e ainda se utilizam no dia a dia nas casas alentejanas, os barros, os cestos de cana, as cadeiras de buínho etc.
O museu apresenta uma exposição permanente sobre Ofícios Tradicionais. São onze os ofícios representados: Oleiro; Carpinteiro; Abegão; Ferreiro; Latoeiro; Ferrador; Albardeiro; Roupeiro; Cesteiro; Cadeireiro; Sapateiro; Alfaiate. A exposição evoca a diversidade de ocupações e ofícios inerentes à produção de bens indispensáveis no quadro da vida local e o saber técnico e tecnológico tradicional ligado à sua fabricação.
A exposição foi concebida de forma a preencher uma função pedagógica. Cada espaço-oficina está pronto a receber o seu artesão, mantendo-se acessíveis ao público objectos e ferramentas diversas. Tendo como pano de fundo o passado histórico rural da região, os objectos em exposição são uma parte importante da memória do mundo do trabalho no concelho.
Entrada gratuita Visitas guiadas mediante marcação prévia.
MoradaLargo do Corro – 7830 Serpa

Os Museus da Cidade - O Museu do Relógio

Tem a Cidade de Serpa, 3 excelentes museus. O Museu do Relógio, o Museu Etnográfico e o Museu de Arqueologia. Primeiro: O Museu do Relógio. Transcrevo aqui extractos da página http://www.museudorelogio.com/ recomendando a quem passar por Serpa, que não deixe de visitar este interessante Museu.
Morada: Convento do Mosteirinho Rua dos Cavalos (junto à Praça da Republica) Tel: (+351) 284 543 194 ou museudorelogio@iol.pt
O Museu do Relógio é o único no seu género em toda a Península Ibérica, e só há mais cinco em todo o mundo. Instalado no belo edifício seiscentista que foi o Convento do Mosteirinho, em dez salas primorosamente arranjadas. Podem ver-se cerca de 1600 relógios das mais famosas marcas. De bolso, de pulso ou de sala, algumas destas peças únicas contam o tempo há mais de 350 anos.
A história do Museu do Relógio começou há 34 anos, quando António Tavares d ’Almeida, o principal dinamizador deste espaço herdou dos seus avós três relógios de bolso avariados. A partir de então, este coleccionador procurou relógios por todo o país, com vista ao restauro e ao aumento do espólio da colecção. Nos últimos anos, perto de 300 relógios avariados foram doados ao Museu em que com a colaboração dos seus Mestres relojoeiros são recuperados e mostrados ao público. António Tavares d ’Almeida continua a dedicar-se ao Museu, procurando dar vida não só aos seus relógios mas também a todos os relógios que lhe são doados, que já atrairam mais de 300 mil visitantes ao Museu.
O Museu do Relógio durante todo o ano oferece aos seus visitantes não só o seu vasto espólio para visita, mas também, semestralmente, organiza exposições temáticas no âmbito da história desta máquina que veio revolucionar o Mundo: o Relógio!!!

Quarta-feira, Setembro 13, 2006

Mais algumas ruas e travessas

Domingo, Setembro 10, 2006

Outras Ruas de Serpa (2)

Podem parecer menos bonitas do que outras ruas que já aqui mostrei porém, são das mais antigas e embora eu não saiba o seu nome foi nestas ruas que Serpa cresceu.

Outras Ruas de Serpa

Rua Roque da Costa, ligando a Rua da Cadeia e a Rua Dr. António de Mendonça

Rua de Mértola entre o Largo da Cruz Nova e a Rua do Águio

Quarta-feira, Setembro 06, 2006

Recantos (26) A Rua do Assento

Rua do Assento, foi assim chamada porque a casa das "Sisas" (impostos de transacção de propriedades) que ficava nas traseiras da Praça da República, tinha uma porta por onde o publico deveria entrar para ir fazer os seus registos e escrituras, «assentos», nesta rua. O Passadiço em forma de ponte, (foto 4), foi construída em 1856, aquando da construção da casa que tem a frente para a Praça. Na sua varanda de ferro consta a data acima referida. Também foi, posteriormente, conhecida por Rua do Poço Sameiro, por ainda esta rua não passava de uma azinhaga, ter ali existido um poço para abastecimento da população conhecido pelo Poço Sameiro. Fica situada entre a Rua dos Cavalos e a Rua Dr. Manuel Côrte-Real Abranches, junto às muralhas, que vemos na fotografia abaixo.

Terça-feira, Setembro 05, 2006

Recantos (25) A Rua do Prior

Paralela à Rua de Nossa Senhora e à Rua dos Cavalos, entre a Rua das Portas de Beja e a Rua dos Lagares, fica a Rua do Prior. Também nesta rua foi aberta uma porta entre 1883 ou 1884, para nela se fazer passagem para o exterior das muralhas e que se denominou de “O Beco“ ainda hoje tem esse nome.
Legenda: A primeira foto foi tirada do lado do Beco, ou seja do lado da Rua dos Lagares, a segunda a partir da Rua das Portas de Beja, assim como a terceira vendo-se nesta, a entrada para a Travessa do Governador e lá ao fundo pode perceber-se a passagem aberta na muralha.

Sábado, Setembro 02, 2006

Recantos (24) O Bairro Operário

A Necessidade da construção de um bairro de casas económicas, já se sentia desde 1934, quando foi proposta a sua construção, porém, apenas por volta de 1950 se veio a concretizar. É constituído por trinta e uma casas e uma escola primária, situa-se a sudoeste da "vila antiga", na estrada da Fonte Nova. Hoje está muito diferente das fotografias que aqui coloco em que o Bairro ficava fora de portas, aqui ainda se vê, mesmo à sua frente, searas de trigo (anos 60 do século passado) no seu lugar existe agora um espelho de água e canteiros ajardinados ladeando os espaços rodoviários ali criados. É aqui que começa a “cidade nova”, com habitações descaracterizadas face à tradicional arquitectura alentejana. São os custos do progresso. O desenho arquitectónica do Bairro Social, mais conhecido por Bairro Operário é de inspiração árabe e tem algum sentido já que, em muitos dos seus autóctones ainda lhes corre nas veias o sangue dos seus antepassados mouros.

Recantos (23) O Jardim

Já em 1866 existia o passeio publico embora em estado de abandono, que depois de algumas transformações e melhorias em 8 de Março de 1909, foi dado o nome de «Passeio Público Cmacho Pimenta» homenageando assim a pessoa que muito zelou e trabalhou na construção do Jardim. Neste Jardim existem algumas árvores centenárias e algumas mesmo únicas no país.

Recantos (22) A Alameda Abade Correia da Serra

Entre a Estrada da Circunvalação e a Rua do Calvário, situa-se a Alameda Abade Correia da Serra, tomou este nome em 1966, anteriormente denominada Praça de Lisboa é uma artéria espaçosa nela se encontra ao monumento ao Abade Correia da Serra, natural de Serpa (nasceu numa casa da Rua dos Fidalgos, hoje com os nº. 22 a 24, em 1750). Juntamente com o Duque de Lafões fundou a Academia das Ciências sendo o seu secretário vitalício. Aqui também que se situa a entrada principal do Jardim Municipal ou seja o “Passeio Público Camacho Pimenta”

Sexta-feira, Setembro 01, 2006

Recantos (21) A Rua das Cruzes

A Rua das Cruzes, entre a rua de S. Pedro e a Rua dos Quintais é uma rua singela de casas baixas mas tem, uma chaminé de grande beleza que se situa exactamente no outro lado da rua tem a configuração de um pequeno castelo com ameias. Já tentaram derrubá-la mas em boa hora foi recusado pela Câmara.

Recantos (20) - Travessa de S. Pedro

Na falta de fotografias da Rua dos Lagares e Rua de S. Pedro opto por postar a artéria paralela a esta última, a Travessa de S. Pedro, sita entre a Azinhaga do Espernega e a Estrada da Circunvalação frente ao Bairro Operário.

Quinta-feira, Agosto 31, 2006

Recantos (19) - A Rua de Nossa Senhora

A Rua de Nossa Senhora, entre a Rua das Portas de Beja e Rua dos Lagares, era conhecida em 1705, com o nome de Rua da Misericórdia por ali se ter situado o antigo Hospital e a Igreja do mesmo nome. O Hospital da Misericórdia (foto 3), fundado em 1505, sob a direcção da irmandade de N. S. do Hospital na sequência da instituição da irmandade da Virgem Maria da Misericórdia, pela Rainha D. Leonor, viúva de D. João II, em 1498. Com a passagem do dito Hospital para o Convento de S. Paulo, em 1840, ficaram aquelas instalações a fazer parte do Celeiro comum e mais tarde propriedade do Banco Rural, que lhe deu diferentes usos. Por esta altura a igreja encontrava-se já profanada e o edifício foi vendido a um grupo, que ali fundou um teatro. No ”TheatroThália”, cujo palco se situava onde antes tinha existido o altar-mor, representaram, além do grupo de teatro amador, residente, actrizes de grande prestígio do Teatro português como Rosa Damasceno. Já nos anos 50 do século passado esteve ali sedeada a sociedade recreativa “Os Azuis”, organizando grandes bailes na grande sala, antigo corpo da igreja. Conheci bem todas as suas divisões, familiares meus pertenciam ao grupo de teatro residente e minha avó fazia a limpeza daquelas instalações. Lembro-me de olhar extasiada o varandim por cima da porta da entrada, ou seja o antigo coro. Assim como o quintal, o terraço, e as salas do antigo Hospital, hoje Sede da Banda Filarmónica de Serpa.
(Legenda das fotografias: - Foto 1 parte da Rua de Nossa Senhora vendo-se do lado direito as instalações da Guarda Fiscal, - Foto 2 a porta aberta na Muralha no sitio do Caramonil na Rua de Nossa Senhora aberta em 1850, - Foto 3 o edifício da antiga igreja da misericórdia - Foto 4 pormenor da porta principal da dita igreja.

Recantos (18) Rua das Portas de Beja

Voltamos assim à Rua dos Arcos, embora não seja ela que vamos seguir e sim, pela Rua das Portas de Beja, depois de ultrapassada a porta da muralha com o mesmo nome seguimos na direcção à Praça da República (foto 1) A Rua das Portas de Beja, nada tem de relevante a não ser o oratório abrigado num nicho (foto 3), não sei a quem é dedicado, lembro apenas que havia sempre uma candeia acesa. Do lado contrário junto à muralha uma casa do Séc. XIX, oferece hoje serviços de turismo rural é a “Casa da Muralha” (foto 5)

Terça-feira, Agosto 29, 2006

Recantos (14) O Largo de S. Paulo

O Largo de S. Paulo é um espaço amplo ajardinado, sem qualquer nota de relevo a não ser o edifício do Hospital da Misericórdia, hoje parte integrante do Centro Hospitalar do Baixo Alentejo. Num terreiro adjacente à Porta de Moura, dentro do perímetro da segunda cintura de Muralhas e encostado a ela, foi erguido no Séc. XV, um convento de irmãos Paulistas, sob a invocação de Nossa Senhora da Consolação. Segundo Fortunato de Almeida, tomo II, pág. 130 da sua História, a construção do Convento, teria tido lugar no ano de 1440, porém, João Baptista de Castro, atribui para a mesma edificação o ano de 1617, sendo esta data a defendida também por João Cabral, de acordo com a nota de pé de página em " Serpa do Passado" a pág. 92. Em 1840, o edificio do Convento foi adaptado a Hospital, que ao longo dos anos foi sofrendo benefícios e alterações uma das quais nos anos cinquenta.
Lembro-me de ter havido grandes festejos falando-se mesmo em inauguração do Hospital. Até aos finais dos anos sessenta o corpo de enfermeiras que ali prestava funções era constituído por freiras, possivelmente vindas do Bom Pastor. Existe neste Largo uma porta aberta nas muralhas da qual desconheço o nome. Seria esta a porta de S. Martinho ?
Nota - Foi necessário fazer uma alteração daí publicar novamente este recanto que agora fica fora da sequência.

Segunda-feira, Agosto 28, 2006

Recantos (17) A Porta Nova

Da Rua dos Farizes, passando o Portelo da Baleizoa, encontra-se a Rua das Varandas, já no lugar da chamada Porta Nova.Da Rua das Varandas, não tenho fotografias aliás, quero aqui agradecer a simpatia do Charquinho, autor do http://charquinho.weblog.com.pt/ e do http://serpaminhaterra.blogspot.com/ de Edgar Moreno, pela autorização que me deram para copiar fotos de sua autoria.O Bairro da Porta Nova tomou o seu nome da porta aberta nas muralhas, junto ao Palácio do Marquês (foto 1) a segunda foto é de uma das Ruas da Porta Nova acho que se chama Rua Nova da Porta Nova. A Rua das Varandas é onde se situam as trazeiras do Plalácio e que nos leva em direcção à Rua dos Arcos e à Porta de Beja.Já a terceira fotografia é salvo erro da chamada Rua do Meio, também na Porta Nova, esta é uma das “chaminés de escuta” reminiscências árabes que ainda subsistem.

Sábado, Agosto 26, 2006

Recantos (16) Da Rua João Lampreia à Rua dos Farizes

Quem me lê já deve ter-se apercebido que não vou passeando nas ruas à toa mas num percurso que nos leva a quase todos os recantos da Cidade. Assim, atravessamos o Largo do Corro, para a Rua João Lampreia, descemos a rua Brás Gonçalves, deixando pelo caminho a Rua da Ladeira e a Rua do Prego ou das Escadinhas, chegamos ao Largo das Portas de Moura de que já falamos anteriormente. A este Largo convergem além da Rua Brás Gonçalves, a Rua de Santo António e a Rua dos Farizes por onde iremos seguir. A meio da Rua dos Farizes deparamos com uma rua que vai dar ao Largo de Nossa Senhora dos Remédios, cuja toponímia nos chama a atenção. É a Travessa das Mal Lavadas. Este nome terá degenerado de num tal “Malhavado” ferreiro, de profissão que ali tinha um curral no ano de 1625. (Arquivos de Serpa , pág. 151) A Rua dos Farizes, sita entre o Largo das Portas de Moura e o Portelo da Baleizoa, deve o seu nome segundo uns, à existência naquela artéria a um Bairro Judeu (Farizeus) segundo outros, aos chafarizes existentes às portas de Moura que por distorção popular teria ficado «Farizes».

Recantos (15) Largo do Corro

É conhecido que já em 1625, se faziam neste lugar a feira e as corridas de touros, nos dias das festas do Corpo de Deus e S. João Baptista. Nesta Largo que, em 10 de Fevereiro de 1890, também foi dado onome de Praça de Serpa Pinto e em 11 de Outubro de 1950 Praça de S. João de Deus, voltando à sua designação anterior em 1967, foi inaugurado em Agosto de 1889, um mercado municipal. Havia neste Largo um bonito Quiosque, não sei o que lhe fizeram, o que ainda existe e espero que nunca seja retirado é um Chafariz de 4 bicas, (vê-se ainda que mal na segunda fotografia) teremos oportunidade de vê-lo melhor quando publicar o conjunto dos quatro chafarizes que continuam a resistir ao tempo e à modernidade. Como o crescimento da ainda Vila, foi deliberada mudar aquelas instalações para um edifício propositadamente construído para o efeito, na zona nova frente ao Bairro Operário. No antigo edifício do Mercado Municipal no Largo do Corro, após obras de beneficiação deu lugar em 1989, ao Museu Etnográfico. Este é um bom exemplo de como os edifícios antigos podem ter um aproveitamento de grande nível cultural.

Quinta-feira, Agosto 24, 2006

Recantos (13) Largo de D. João

Descendo a Ladeira do Escorregadio chegamos ao Largo de D. João, onde voltada a noroeste se situa a Porta de Moura, que já atrás se referiu. Nas fotos podemos apreciar a grandeza dos cubelos que ladeiam a Porta. No lado direito da referida porta, junto à parede lateral do Hospital, existe ainda a escadaria de aceso ao topo das muralhas. A primeira e terceira fotos são do interor das muralhas a segunda, tirada do Largo no exterior. No Largo de D. João, existe ainda uma casa quinhentista, de traça manuelina, que podemos apreciar na ultima foto.

Quarta-feira, Agosto 23, 2006

Recantos (12) - A Ladeira do Escorregadio

No seguimento da Rua da Cadeia Velha e depois de ultrapassado o Terreiro do Santuário, chegamos a uma rua íngreme cujo nome muito apropriado é Ladeira do Escorregadio. Esta Ladeira, da qual se tem uma perspectiva da Torre de Menagem do Castelo Velho, vai desembocar no Largo de D. João, onde se situa a Porta de Moura, que com a Porta de Beja, nos dão ainda testemunho de como eram fortes as guardas de entrada na Vila de Serpa.

Terça-feira, Agosto 22, 2006

Recantos (11) A Rua da Cadeia Velha

Do lado norte da Praça da República, entre esta praça e o Terreiro do Santuário fica a Rua da Cadeia. Baptizada em 18 de Dezembro de 1919, com o nome de Rua Dr. José Féria Teotónio, nunca deixou de ser conhecida e referenciada como Rua da Cadeia Velha. Velha, substantivo que o povo lhe acrescentou quando as instalações da cadeia mudaram, em meados do Sec. XVIII, (do actual nº 10 desta rua) para o edifício da Praça da República, onde hoje se situa o Café Alentejano, o qual conserva ainda o sino da Capela. É ainda nesta rua que se situa o Grémio da Lavoura, no edifício que se vê em primeiro plano na foto 1, local onde os agricultores da região tratam, desde há muito, de todos os assuntos referentes à lavoura, que infelizmente hoje se encontra muito reduzida. Na segunda fotografia pode ver-se a beleza e o pormenor das almofadas inferiores da porta do Grémio da Lavoura, onde estão representadas diversas alfaias agrícolas. Esta fotografia foi gentilmente cedida por: http://univesosassimetricos.blogspot.com/ que agradeço

Segunda-feira, Agosto 21, 2006

Recantos (10) - Rua dos Fidalgos

Chegada à Rua das Portas de Sevilha, exitei que caminho escolher mas, decidi-me pela Rua dos Fidalgos, que me levaria de novo à Praça da Republica.Esta rua à semelhança de outras ruas, como já tivemos oportunidade de referir, foi baptizada e rebaptizada, como Rua Visconde da Ribeira Brava, em 1898 e duas vezes no mesmo ano, 1910, primeiro em Abril como Rua Alexandre Herculano e depois em Outubro como António Ladislau Parreira, voltando ao seu primitivo nome em 1967.Uma pergunta que me faço, é o porquê esta coincidência de tantas ruas terem voltado aos seus antigos nomes em 1967, terá sido resultado dos estudos de João Cabral sobre a toponímia da vila? Ele não o diz em qualquer dos seus livros mas 1967, coincide com o período em que, como Chefe de Secretaria trabalhou na Câmara de Serpa, cujo início de funções ocorreu em 1965. Na Rua dos Fidalgos, no prédio nº. 22 à entrada da Praça da República, conforme refere a lápide ali existente, nasceu José Francisco Correia da Serra ou como é mais conhecido o Abade Correia da Serra, ilustre figura das ciências.Fazendo jus ao nome tem esta rua varias casa senhoriais. No nº. 20 desta rua existe um brasão que pertenceu a João de Melo igual a outro existente no Convento de S. Francisco e que data de 1555.A terceira fotografia é da esquina desta rua com a Rua Dr. António de Mendonça, onde se situava a antiga Farmácia Salta, cujas paredes interiores estavam cobertas de pinturas alusivas.