sábado, setembro 02, 2006

Recantos (24) O Bairro Operário

A Necessidade da construção de um bairro de casas económicas, já se sentia desde 1934, quando foi proposta a sua construção, porém, apenas por volta de 1950 se veio a concretizar. É constituído por trinta e uma casas e uma escola primária, situa-se a sudoeste da "vila antiga", na estrada da Fonte Nova. Hoje está muito diferente das fotografias que aqui coloco em que o Bairro ficava fora de portas, aqui ainda se vê, mesmo à sua frente, searas de trigo (anos 60 do século passado) no seu lugar existe agora um espelho de água e canteiros ajardinados ladeando os espaços rodoviários ali criados. É aqui que começa a “cidade nova”, com habitações descaracterizadas face à tradicional arquitectura alentejana. São os custos do progresso. O desenho arquitectónica do Bairro Social, mais conhecido por Bairro Operário é de inspiração árabe e tem algum sentido já que, em muitos dos seus autóctones ainda lhes corre nas veias o sangue dos seus antepassados mouros.

Recantos (23) O Jardim

Já em 1866 existia o passeio publico embora em estado de abandono, que depois de algumas transformações e melhorias em 8 de Março de 1909, foi dado o nome de «Passeio Público Cmacho Pimenta» homenageando assim a pessoa que muito zelou e trabalhou na construção do Jardim. Neste Jardim existem algumas árvores centenárias e algumas mesmo únicas no país.

Recantos (22) A Alameda Abade Correia da Serra

Entre a Estrada da Circunvalação e a Rua do Calvário, situa-se a Alameda Abade Correia da Serra, tomou este nome em 1966, anteriormente denominada Praça de Lisboa é uma artéria espaçosa nela se encontra ao monumento ao Abade Correia da Serra, natural de Serpa (nasceu numa casa da Rua dos Fidalgos, hoje com os nº. 22 a 24, em 1750). Juntamente com o Duque de Lafões fundou a Academia das Ciências sendo o seu secretário vitalício. Aqui também que se situa a entrada principal do Jardim Municipal ou seja o “Passeio Público Camacho Pimenta”

sexta-feira, setembro 01, 2006

Recantos (21) A Rua das Cruzes

A Rua das Cruzes, entre a rua de S. Pedro e a Rua dos Quintais é uma rua singela de casas baixas mas tem, uma chaminé de grande beleza que se situa exactamente no outro lado da rua tem a configuração de um pequeno castelo com ameias. Já tentaram derrubá-la mas em boa hora foi recusado pela Câmara.

Recantos (20) - Travessa de S. Pedro

Na falta de fotografias da Rua dos Lagares e Rua de S. Pedro opto por postar a artéria paralela a esta última, a Travessa de S. Pedro, sita entre a Azinhaga do Espernega e a Estrada da Circunvalação frente ao Bairro Operário.

quinta-feira, agosto 31, 2006

Recantos (19) - A Rua de Nossa Senhora


A Rua de Nossa Senhora, entre a Rua das Portas de Beja e Rua dos Lagares, era conhecida em 1705, com o nome de Rua da Misericórdia por ali se ter situado o antigo Hospital e a Igreja do mesmo nome. O Hospital da Misericórdia (foto 3), fundado em 1505, sob a direcção da irmandade de N. S. do Hospital na sequência da instituição da irmandade da Virgem Maria da Misericórdia, pela Rainha D. Leonor, viúva de D. João II, em 1498. Com a passagem do dito Hospital para o Convento de S. Paulo, em 1840, ficaram aquelas instalações a fazer parte do Celeiro comum e mais tarde propriedade do Banco Rural, que lhe deu diferentes usos. Por esta altura a igreja encontrava-se já profanada e o edifício foi vendido a um grupo, que ali fundou um teatro. No ”TheatroThália”, cujo palco se situava onde antes tinha existido o altar-mor, representaram, além do grupo de teatro amador, residente, actrizes de grande prestígio do Teatro português como Rosa Damasceno. Já nos anos 50 do século passado esteve ali sedeada a sociedade recreativa “Os Azuis”, organizando grandes bailes na grande sala, antigo corpo da igreja. Conheci bem todas as suas divisões, familiares meus pertenciam ao grupo de teatro residente e minha avó fazia a limpeza daquelas instalações. Lembro-me de olhar extasiada o varandim por cima da porta da entrada, ou seja o antigo coro. Assim como o quintal, o terraço, e as salas do antigo Hospital, hoje Sede da Banda Filarmónica de Serpa.

(Legenda das fotografias: - Foto 1 parte da Rua de Nossa Senhora vendo-se do lado direito as instalações da Guarda Fiscal, - Foto 2 a porta aberta na Muralha no sitio do Caramonil na Rua de Nossa Senhora aberta em 1850, - Foto 3 o edifício da antiga igreja da misericórdia - Foto 4 pormenor da porta principal da dita igreja.

Recantos (18) Rua das Portas de Beja

Voltamos assim à Rua dos Arcos, embora não seja ela que vamos seguir e sim, pela Rua das Portas de Beja, depois de ultrapassada a porta da muralha com o mesmo nome seguimos na direcção à Praça da República (foto 1) A Rua das Portas de Beja, nada tem de relevante a não ser o oratório abrigado num nicho (foto 3), não sei a quem é dedicado, lembro apenas que havia sempre uma candeia acesa. Do lado contrário junto à muralha uma casa do Séc. XIX, oferece hoje serviços de turismo rural é a “Casa da Muralha” (foto 5)

terça-feira, agosto 29, 2006

Recantos (14) O Largo de S. Paulo

O Largo de S. Paulo é um espaço amplo ajardinado, sem qualquer nota de relevo a não ser o edifício do Hospital da Misericórdia, hoje parte integrante do Centro Hospitalar do Baixo Alentejo. Num terreiro adjacente à Porta de Moura, dentro do perímetro da segunda cintura de Muralhas e encostado a ela, foi erguido no Séc. XV, um convento de irmãos Paulistas, sob a invocação de Nossa Senhora da Consolação. Segundo Fortunato de Almeida, tomo II, pág. 130 da sua História, a construção do Convento, teria tido lugar no ano de 1440, porém, João Baptista de Castro, atribui para a mesma edificação o ano de 1617, sendo esta data a defendida também por João Cabral, de acordo com a nota de pé de página em " Serpa do Passado" a pág. 92. Em 1840, o edificio do Convento foi adaptado a Hospital, que ao longo dos anos foi sofrendo benefícios e alterações uma das quais nos anos cinquenta.
Lembro-me de ter havido grandes festejos falando-se mesmo em inauguração do Hospital. Até aos finais dos anos sessenta o corpo de enfermeiras que ali prestava funções era constituído por freiras, possivelmente vindas do Bom Pastor. Existe neste Largo uma porta aberta nas muralhas da qual desconheço o nome. Seria esta a porta de S. Martinho ?
Nota - Foi necessário fazer uma alteração daí publicar novamente este recanto que agora fica fora da sequência.

segunda-feira, agosto 28, 2006

Recantos (17) A Porta Nova

Da Rua dos Farizes, passando o Portelo da Baleizoa, encontra-se a Rua das Varandas, já no lugar da chamada Porta Nova.Da Rua das Varandas, não tenho fotografias aliás, quero aqui agradecer a simpatia do Charquinho, autor do http://charquinho.weblog.com.pt/ e do http://serpaminhaterra.blogspot.com/ de Edgar Moreno, pela autorização que me deram para copiar fotos de sua autoria.O Bairro da Porta Nova tomou o seu nome da porta aberta nas muralhas, junto ao Palácio do Marquês (foto 1) a segunda foto é de uma das Ruas da Porta Nova acho que se chama Rua Nova da Porta Nova. A Rua das Varandas é onde se situam as trazeiras do Plalácio e que nos leva em direcção à Rua dos Arcos e à Porta de Beja.Já a terceira fotografia é salvo erro da chamada Rua do Meio, também na Porta Nova, esta é uma das “chaminés de escuta” reminiscências árabes que ainda subsistem.

sábado, agosto 26, 2006

Recantos (16) Da Rua João Lampreia à Rua dos Farizes

Quem me lê já deve ter-se apercebido que não vou passeando nas ruas à toa mas num percurso que nos leva a quase todos os recantos da Cidade. Assim, atravessamos o Largo do Corro, para a Rua João Lampreia, descemos a rua Brás Gonçalves, deixando pelo caminho a Rua da Ladeira e a Rua do Prego ou das Escadinhas, chegamos ao Largo das Portas de Moura de que já falamos anteriormente. A este Largo convergem além da Rua Brás Gonçalves, a Rua de Santo António e a Rua dos Farizes por onde iremos seguir. A meio da Rua dos Farizes deparamos com uma rua que vai dar ao Largo de Nossa Senhora dos Remédios, cuja toponímia nos chama a atenção. É a Travessa das Mal Lavadas. Este nome terá degenerado de num tal “Malhavado” ferreiro, de profissão que ali tinha um curral no ano de 1625. (Arquivos de Serpa , pág. 151) A Rua dos Farizes, sita entre o Largo das Portas de Moura e o Portelo da Baleizoa, deve o seu nome segundo uns, à existência naquela artéria a um Bairro Judeu (Farizeus) segundo outros, aos chafarizes existentes às portas de Moura que por distorção popular teria ficado «Farizes».

Recantos (15) Largo do Corro

É conhecido que já em 1625, se faziam neste lugar a feira e as corridas de touros, nos dias das festas do Corpo de Deus e S. João Baptista. Nesta Largo que, em 10 de Fevereiro de 1890, também foi dado onome de Praça de Serpa Pinto e em 11 de Outubro de 1950 Praça de S. João de Deus, voltando à sua designação anterior em 1967, foi inaugurado em Agosto de 1889, um mercado municipal. Havia neste Largo um bonito Quiosque, não sei o que lhe fizeram, o que ainda existe e espero que nunca seja retirado é um Chafariz de 4 bicas, (vê-se ainda que mal na segunda fotografia) teremos oportunidade de vê-lo melhor quando publicar o conjunto dos quatro chafarizes que continuam a resistir ao tempo e à modernidade. Como o crescimento da ainda Vila, foi deliberada mudar aquelas instalações para um edifício propositadamente construído para o efeito, na zona nova frente ao Bairro Operário. No antigo edifício do Mercado Municipal no Largo do Corro, após obras de beneficiação deu lugar em 1989, ao Museu Etnográfico. Este é um bom exemplo de como os edifícios antigos podem ter um aproveitamento de grande nível cultural.

quinta-feira, agosto 24, 2006

Recantos (13) Largo de D. João

Descendo a Ladeira do Escorregadio chegamos ao Largo de D. João, onde voltada a noroeste se situa a Porta de Moura, que já atrás se referiu. Nas fotos podemos apreciar a grandeza dos cubelos que ladeiam a Porta. No lado direito da referida porta, junto à parede lateral do Hospital, existe ainda a escadaria de aceso ao topo das muralhas. A primeira e terceira fotos são do interor das muralhas a segunda, tirada do Largo no exterior. No Largo de D. João, existe ainda uma casa quinhentista, de traça manuelina, que podemos apreciar na ultima foto.

quarta-feira, agosto 23, 2006

Recantos (12) - A Ladeira do Escorregadio

No seguimento da Rua da Cadeia Velha e depois de ultrapassado o Terreiro do Santuário, chegamos a uma rua íngreme cujo nome muito apropriado é Ladeira do Escorregadio. Esta Ladeira, da qual se tem uma perspectiva da Torre de Menagem do Castelo Velho, vai desembocar no Largo de D. João, onde se situa a Porta de Moura, que com a Porta de Beja, nos dão ainda testemunho de como eram fortes as guardas de entrada na Vila de Serpa.

terça-feira, agosto 22, 2006

Recantos (11) A Rua da Cadeia Velha

Do lado norte da Praça da República, entre esta praça e o Terreiro do Santuário fica a Rua da Cadeia. Baptizada em 18 de Dezembro de 1919, com o nome de Rua Dr. José Féria Teotónio, nunca deixou de ser conhecida e referenciada como Rua da Cadeia Velha. Velha, substantivo que o povo lhe acrescentou quando as instalações da cadeia mudaram, em meados do Sec. XVIII, (do actual nº 10 desta rua) para o edifício da Praça da República, onde hoje se situa o Café Alentejano, o qual conserva ainda o sino da Capela. É ainda nesta rua que se situa o Grémio da Lavoura, no edifício que se vê em primeiro plano na foto 1, local onde os agricultores da região tratam, desde há muito, de todos os assuntos referentes à lavoura, que infelizmente hoje se encontra muito reduzida. Na segunda fotografia pode ver-se a beleza e o pormenor das almofadas inferiores da porta do Grémio da Lavoura, onde estão representadas diversas alfaias agrícolas. Esta fotografia foi gentilmente cedida por: http://univesosassimetricos.blogspot.com/ que agradeço

segunda-feira, agosto 21, 2006

Recantos (10) - Rua dos Fidalgos

Chegada à Rua das Portas de Sevilha, exitei que caminho escolher mas, decidi-me pela Rua dos Fidalgos, que me levaria de novo à Praça da Republica.Esta rua à semelhança de outras ruas, como já tivemos oportunidade de referir, foi baptizada e rebaptizada, como Rua Visconde da Ribeira Brava, em 1898 e duas vezes no mesmo ano, 1910, primeiro em Abril como Rua Alexandre Herculano e depois em Outubro como António Ladislau Parreira, voltando ao seu primitivo nome em 1967.Uma pergunta que me faço, é o porquê esta coincidência de tantas ruas terem voltado aos seus antigos nomes em 1967, terá sido resultado dos estudos de João Cabral sobre a toponímia da vila? Ele não o diz em qualquer dos seus livros mas 1967, coincide com o período em que, como Chefe de Secretaria trabalhou na Câmara de Serpa, cujo início de funções ocorreu em 1965. Na Rua dos Fidalgos, no prédio nº. 22 à entrada da Praça da República, conforme refere a lápide ali existente, nasceu José Francisco Correia da Serra ou como é mais conhecido o Abade Correia da Serra, ilustre figura das ciências.Fazendo jus ao nome tem esta rua varias casa senhoriais. No nº. 20 desta rua existe um brasão que pertenceu a João de Melo igual a outro existente no Convento de S. Francisco e que data de 1555.A terceira fotografia é da esquina desta rua com a Rua Dr. António de Mendonça, onde se situava a antiga Farmácia Salta, cujas paredes interiores estavam cobertas de pinturas alusivas.